Tornando doenças invisíveis VISÍVEIS – Vídeo

Oi Pessoal

Faz um tempão que não posto nada, as coisas não andam muito fáceis, resumindo não estou bem, enquanto a vontade de escrever não aparece, segue um vídeo que eu achei muito interessante, Kelly tem 23 anos e sofre há 10 com Doença de Crohn, também tem artrite reumatóide, no vídeo ela fala da incompreensão das pessoas com quem sofre com doenças invisíveis, então ela decidiu escreve pelo corpo, todos os sintomas que ela sente, mesmo que a sua aparência seja de que “ela não parece estar doente”. O vídeo está em inglês, mas não deixa de ser tocante do mesmo jeito.

 

 

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Explicando uma doença invisível…

Oi pessoal, achei esse vídeo sobre como explicar a suaz doença para alguém…Triste realidade.

Na tradução livre da Guria.

Mulher: – Oi, que bom que você está aqui. Você deve estar se sentindo bem melhor!

Homem: – Oi, bom eu também estou feliz por estar aqui, mas eu gostaria de dizer que me sinto melhor.

Mulher: – Você AINDA não está bem? Mas você parece tão bem!

Homem: – Obrigado. Mas eu estou com pouquíssima energia. Não sei se vou pode ficar na festa por muito mais tempo.

Mulher: Olha, eu sei que você tem essa doença estranha e tudo o mais, mas se você for pra casa, você vai acabar ficando mais deprimido, você precisa lutar contra essa doença, você sempre deixa ela tomar conta de você, você está sempre perdendo os eventos.

Homem: – É claro que eu detesto perder esse eventos, mas ficar aqui só por ficar não é divertido. Eu também gostaria de encontrar outros amigo amanhã, então eu preciso respeitar o meu ritmo.

Mulher: – Ah, então você prefere ficar com os outros amigos do que aqui com a gente? Eu não acho que você está tão ruim como você faz parecer.

Homem: – Eu sinto muito que você pense isso. Mas é difícil explicar a fadiga que faz parte a minha doença. Não é somente estar cansado.

Mulher: – Sabe, se eu ficasse o tempo todo falando por aí o  quão ruim eu estou, eu também ficaria deprimida. Deixa eu pegar algo pra você beber.

Homem: – Obrigado, mas eu não posso tomar alcool com os remedios que estou tomando.

Mulher: – Que tal um petisco?

Homem: – Desculpe, estou tenando fazer uma dieta sem gluten, ver se meus sintomas melhoram.

Mulher: – Sabe, isso pode ajudar, aproveitando você devia experimentar essa nova água mineral que um amigo está vendendo, ele diz que aumenta a energia.

Homem: – Eu agradeço a sua preocupação, mas eu perfiro não tomar.

Mulher: – Porque você prefere ficar assim….

Homem: – Não estou falando isso, eu só estou seguindo ordens do meu médico.

Mulher: – Sim, porque os médicos já te ajudaram muito certo(de forma irônica)? Acho que não… Todos esses médicos só querem o seu dinheiro, se eles te curassem, você não precisaria mais consultá-los certo?

Homem: – Eu entendo como pode parecer pra você.

Mulher: – O que parece é que estou perdendo uma grande festa aqui falando com você, eu só tenho sábado  à noite para sair e me divertir e não quero ficar aqui conversando sobre coisas deprimentes tipo doença, eu preciso ir. Até mais.

Homem: – Me desculpe se eu te desapontei, eu também não estou feliz com o fato de ter uma doença, eu sinto falta dos tempos que eu era saudável, mas voce é o que você é.

Alguém se identificou???

Até a próxima.

 

Os desafios de uma doença invisível

Olá Pessoal

Hoje vou falar um pouco sobre doenças invisíveis.

Você conhece esse termo? Talvez não mas com certeza conhece a famigerada frase “mas você não parece doente” ou “mas vocês parece tão bem” ou “você está aumentando, não pode ser tão ruim assim”, conseguiram se identificar com alguma delas? Aposto que todos já ouviram isso ao menos alguma vez na vida e assim teve todo os seus sintomas e estado de saúde geral desconsiderado pois afinal você “não parece doente”.

Nos EUA acontece todos os anos a semana da doença invisível, sempre focando na concientização e sensibilização das doenças invisíveis, de acordo com a equipe, a semana é centrada em torno da idéia de que “só porque os outros não podem ver – não significa que a sua experiencia, a sua dor e a sua realidade não seja real e verdadeira”.

É fácil para alguém visualizar uma doença quando o problema é um cadeirante, uma perna ou um braço engessado, alguém sangrando, espirrando.

Listei alguns dos desafios de conviver com uma doença invisível.

  • Culpa e isolação: quantas vezes eu já me perguntei se de alguma forma eu causei essa doença, para a sociedade para ser aceitável sentir dor devido à uma acidente, mas é esperado que a gente fique melhor, todos esperam isso de mim, TODOS, e isso inclui familiares. Muitas vezes bate uma depressão, geralmente no meio de uma crise e eu começo a achar que eu atrapalho a vida dos meus familiares.
  • Frustração com a falta de empatia do outros: Não basta desejar ou tomar um remédio que a dor, a fadiga – que são crônicas – desapareçam, ou ainda, já ouvi de médicos me dizendo que meu problema é psicológico, alguém leigo falar isso ok, mas um médico? Nós somos frequentemente tratados como “fingidos” por familiares, amigos, colegas de trabalho e até profissionais da saúde, já ouvi pessoas me dizendo que eu era hipocondriaca, viciada em remedios e na época em que estava afastada pelo INSS, uma preguiçosa, isso dói…
  • Frustração com nossos próprio limites: Nossa eu sou uma pessoa perfeccionista, cansei de contar as vezes que me frustrei intensamente comigo mesma por não conseguir fazer alguma coisa, seja uma viagem, uma pós-graduação, um jantar fora, uma festa, eu odeio não cosneguri fazer alguma coisa que eu quero porque eu simplesmente não tenho energia suficiente para aquilo, que eu preciso fazer escolhas, porque senão eu posso não ter energia para fazer outras coisas, que tem prioridade mais alta – trabalhar por exemplo, não consigo fazer o meu mestrado, se eu fizer o mestrado vou me cansar demais e ai nem trabalhar eu consigo e entre esses dois eu preciso escolher aquele que pagas as minahs contas…
  • Os familiares mais próximos, aqueles que cuidam da gente: Esse pessoal tem o seu próprio conjunto de fatores estressantes, primeiro eles precisam conviver com a sua própria frustração de não conseguir fazer com que seus entes queridos fiquem bem, a sensação de impotência, eles nos veem no nosso pior, tem que muitas vezes se envolver com assuntos juridicos envolvendo hospitais, planos de saúde – incomodação. Eles também acabam se isolando um pouco, junto com a gente, tipo, “como vou sair com amigos sabendo que a minha esposa está gemendo de dor em cima da cama”.

Até a próxima.

Anemia

Olá Pessoal

Eu andei sumida!

Aconteceu tanta coisa nessas últimas semanas, a minha pós está tomando um tempo inacreditável, eu comecei a reparar que eu estava me cansando muito, mais que o normal, também andava tonta e com fortes dores de cabeça, que duravam o dia inteiro, inicio de junho fiz meus exames de sangue, estava lá o motivo do meu cansaço, uma anemia, bem forte, meus glóbulos vermelhos ainda não estavam muito baixos, meu ferro e ferritina no entanto estavam praticamente zerados.

A Dra me explicou que os glóbulso vermelhos tem uma “vida” de aproximadamente 120 dias, deposi eles “morrem” e outros nascem, para novos glóbulos vermelhos nascerem eles precisam de ferro, se a gente não tem ferro, os glóbulos vermelhos nascem pequenininhos e fracos.

Me deram suplemento de ferro pra tomar, mas eu não sei se está funcionando, acho que meu corpo não está absorvendo ferro como deveria, seria a inflamação? A perda de sangue que tenho nas evacuações poderia causar isso? Quero dizer ela não é forte, e é somente durante as evacuações, ela é fraca mas está sempre lá.

A Dra disse que vou tomar suplemento de ferro por 60 dias, já faz 30 dias que estou tomando, continuo com fortes dores de cabeça, tontura e o cansaço que não em dá disposição de fazer nada, sair da cama de manhã é uma das tarefas mais dificeis…

Sabe o que incomoda, as pessoas próximas da gente, que conhecem a nossa situação, parecem não entender, esse fi mde semana tive que ouvir que sou preguiçosa, isso porqeu eu não estava com vontade de ir jantar fora, ou levantar domingo cedo para ir a um batizado. Isso realmente me derruba.

Ando muito, muito mal, não somente com o Crohn, mas com todos esse problemas paralelos…

Não sei o que faço, estou muito perdida e sem esperanças.

Parada no Humira

Oi pessoal, faz um tempo que não posto nada. Eu estive bem ocupada com o trabalho e mais o MBA.
Comentei que andei passando por algumas crises bem chatas, me desesperei algumas vezes, afinal todas as medicações e mesmo assim entrando em crise? “Chutei o balde”, parei o Humira, parei o purinethol, parei tudo, estava de saco cheio, eu sei, fiz errado, sei que não posso parar com a medicação, que o Crohn pode voltar mais forte e causar um estrago feio, deixar o quadro pior do que já está estou ciente de tudo isso, mas eu cansei entende, tanto remédio sem me sentir bem de verdade, fiquei 45 dias sem medicação nenhuma, a verdade é que nas últimas três semanas, nunca me senti tão bem, desde o inicio dos meus sintomas, sem dores, sem corridas ao banheiro, sem cansaço, me senti “normal”, curti esse momento de “liberdade”.
Mas no fundo eu sabia que tinha que voltar às medicações, voltei ontem a tomar o Humira. O que eu digo? Que hoje acordei como se tivessem me dado uma surra, que meu corpo todo dói, que meu apetite sumiu, que minhas “colheres” acabaram antes do meio-dia.
Fiquei deprimida. Por que eu preciso tomar um remédio que aparentemente me faz ter reações bem desagradáveis? Por que eu nunca notei isso antes? Por que eu me senti melhor sem os remédios? Por que? Por que?
Abri o coração :/

Manifestações Extra-intestinais | Garganta

Olá Pessoal

Dando continuidade às manifestações extra-intestinais.

O post de hoje vou comentar algumas manifestações extra-intestinais que ocorrem comigo com frequencia, esse sintomas geralmente não parecem estar ligados à Doença de Crohn, eu também não tenho profundo conhecimento médico nisso, são mais as minha experiencias pessoais e esses sintoams podem até estar relacionados como efeitos colaterais das medicações.

Em julho de 2010 eu tive uma amigdalíte fortíssima, quadro clássico, febre alta, placas na garganta, dor muito forte, o antibiótico teve que ser em forma de injeção pois eu não conseguia engolir os comprimidos. Então fiz uma curso de 10 dias tomando Amoxicilina 875mg e tomei por três dias meticorten 40mg, em dois dias já estava me sentindo melhor, terminei os dez dias de antibiótico, passou dois dias e a minah garganta fechou novamente, doía muito, tinha pouca placa, mas eu mal conseguia falar, voltei do otorrino com mais antibiótico, mais dez dias, dessa vez foi outro, não lembro o composto, também tomei por três dias meticorten 40mg, melhorei, completei o ciclo de dez dias e dois dias depois lá estava eu co ma garganta fechada de novo. Aí começaram a me investigar de novo, exames, biópsia das amigdalas, mais antibiótico, dessa vez sem meticorten, pois o médico achava que podia estar mascarando algum outro problema, foram dois meses nessa função, o otorrino me enviou de volta pro pneumo, que me enviou pro otorrino novamente e que sem saber o que fazer comigo me devolveu pra minha gastro, nessas alturas o otorrino achava que eu estava com linfoma. Voltei na minha gastro e ela olhou bem a minha garganta, eu disse que nenhum antibiotico estava fazendo efeito, ela mandou eu tomar somente o meticorten por três dias para ver se resolvia alguma coisa. Nem preciso comentar que algumas horas depois do primeiro comprimido de corticóide, minha garganta estava normal. Conclusão: aparentemente, no meu caso, o crohn atinge a minha garganta, a explicação, como eu tenho um doença autoimune e as amigdalas são feitas de tecido linfóide elas podem ser atingidas.

Eu costumo ter esse problema umas duas, três vezes ao mês, chega sem aviso, simplesmente um dia acordo com a garganta fechada e doída, tomo um comprimido 20mg de meticorten e perto do meio-dia já não sinto mais nada.

Até a próxima!

Como responder “Como você está?”

Olá pessoal.

Vocês conhecem aquela saudação “Oi, como você está?”, quem tem uma doença crônica já deve ter sentido a ansiedade de como responder essa simples pergunta.

Parece um consenso geral da sociedade em reponder “tudo bem”, mas quantas vezes eu já me peguei respondendo os meus sintomas, que eu estou bem enjoada, etc. Mas na real, quem realmente está interessado em saber como eu estou me sentindo de verdade? Com certeza só os meus familiares, e os de primeiro grau, o resto só está sendo educado, ninguém quer saber das minhas dificuldades, das minhas dores, das minhas crises, das minhas limitações.

Em diversas vezes eu também respondi, “tudo bem, obrigada”. A atenção aqui fica no “obrigada”. Por que eu respondo obrigada? A resposta soa estranha para aqueles que não sabem da minha doença.

Hoje eu só respondo “tudo bem”, mas rápido, simples e todos saem felizes…

Anatomia de uma crise.

Olá Pessoal

Hoje vou comentar um pouco mais sobre as chamadas “crises” que ocorrem na doença de Crohn.

Os médicos costumam falar que o Crohn é uma doença que intercala períodos de remissão e períodos com sintomas.

A maioria das pessoas se pergunta o que é afinal estar em remissão? Vou tentar explicar o meu ponto de vista sobre isso, lembrando que eu não sou médica e meu conhecimento é somente pela experiência mesmo.

Período de Remissão pode ser algo bem subjetivo, e até hoje eu fico em dúvida, será que remissão são períodos onde eu não sinto absolutamente nenhum sintoma? Ou eu devo levar em consideração e sempre comparar com aquele período tortuoso antes do diagnóstico?

Pra mim remissão significa, períodos sem sintomas, sejam dias ou semanas, períodos em que praticamente eu consigo “esquecer” que tenho uma doença crônica. O meu “normal” são aproximadamente três dias bem, ai tenho uma crise leve/média que dura uns dois ou três dias, aí fico bem e permaneço bem por mais uns três dias e assim vou indo J. Considero uma crise mais severa aquelas que meus sintomas permanecem por mais de cinco dias, as graves quando eu preciso procurar o serviço de emergência do hospital.

Bom mas e como é uma crise de Crohn? No meu caso tudo começa após uma refeição, não importa muito o que eu comi, já tive crises logo após comer um purezinho de batatas com franguinho grelhado e também já tive crises logo após uma “orgia gastronômica”, outras ocasiões, mesmo após essas “orgias gastronômicas” fiquei bem e não senti absolutamente nada.

Voltando em como a crise inicia, como eu disse é geralmente logo após alguma refeição, vinte, trinta minutos após eu sinto uma cólica muito forte, e uma urgência muito grande de ir ao banheiro, a dor é tão forte que me causa náuseas e eu, na maioria das vezes, acabo vomitando. Eu provavelmente vou mais uma cinco ou seis vezes, em média, ao banheiro depois dessa primeira “dor”, minha barriga estufa bastante, eu perco o apetite, evacuo muito sangue e muco, a dor nas articulações – que eu tenho sempre – aumenta muito, eu fico muito fraca e também com muitas dores abdominais, as vezes tenho uma febre baixa, geralmente no período da noite, as vezes também tenho suores noturnos e a dor e a vontade de ir ao banheiro frequentemente me acordam de madrugada.

Durante a crise eu evito:

  • Comer qualquer derivado de leite;
  • Comer grandes porções;
  • Comer alimentos com muitas fibras;
  • Comer comidas muito gordurosas;

É sempre bom também:

  • Conhecer onde ficam os banheiros do lugar onde você vai;
  • Carregar uma peça sobressalente de roupa íntima;
  • Ter sempre papel higiênico na bolsa ou mochila, afinal é um problema a menos pra se preocupar J;

Quando é necessário procurar assistência médica durante a crise?

Confesso que no início eu ía à emergência toda a hora, semrpe que tinha dor, hoje eu guardo essas idas para casos onde realmente sejam necessários.

  • Obstrução: Muita náusea, vômito, cólica e principalmente, você sente tudo isso, porém, não consegue evacuar;
  • Abcessos ou fistulas.
  • O problema é que uma crise não tem horário nem lugar para aparecer, e eu pelo menos não consigo antecipar, “terei uma crise”.
  • Uma vez diagnosticado com Doença de Crohn, não importa onde você esteja, no supermercado, no trabalho, no ônibus, no avião, qualquer lugar e momento ela pode aparecer, e pior, muitas vezes ficamos com tanto medo de não sabermos quando isso pode acontecer, que acabamso abrindo mão de fazermos muita coisa na vida, uma viagem, um curso, uma festa, definitivamente não é fácil conviver com essa doença, ela nos atinge não somente a parte física mas também mexe muito com a nossa cabeça e com os nossos pensamentos

Até a próxima!

Eu sou assim tão invisível?

Olá Pessoal

Hoje vou usar o espaço do blog para falar sobre algumas coisas que me incomodam bastante, tipo filas, vagas de estacionamento e assentos preferenciais para gestantes, portadores de deficiencia e idosos.

Eu estou novamente em uma crise bem forte e essa semana aconteceram dois eventos que me deixaram bem chateada

Segunda-feira eu tive que ir ao Banco do Brasil, meu horário disponível para isso é ao meio-dia, eu trabalho, assim como a grande maioria da população e não tenho tempo de ir em outro horário ao banco, a fila estava imensa como sempre, enquanto a fila preferencial estava pequena, sabendo que estou em crise, sei que não posso me demorar muito nos lugares, eu posso precisar correr ao banheiro em qualquer momento, pedi para poder entrar na fila preferencial, expliquei que estou bem doente e que esperar muito tempo na fila comum poderia ser ruim pra mim.

Não me deixaram entrar na fila preferencial, os idosos – nem tão idosos assim – estavam muito bem vestidos, falantes, as mulheres usavam saltos e estavam na fila preferencial, todos olharam pra mim com ar de desprezo como se eu estivesse querendo me aproveitar da situação. Eu pergunto. Me aproveitar de que? Como eu gostaria de poder ficar 1h 2hs em uma fila de banco tendo como única preocupação o aborrecimento de estar perdendo meu tempo.

Acabei ficando quase 45 min na fila, restavam 7 pessoas na minha frente e sabem o que aconteceu? Isso, óbvio, me deu uma dor de barriga muito muito forte, a urgência pelo banheiro bateu e tive que sair correndo em busca de um banheiro, o banheiro do banco estava indisponível e tive que voltar correndo pra empresa para tentar ir ao banheiro, é isso mesmo tentar, porque não deu tempo, a coisa aconteceu no meio do caminho e eu me vi em uma situação extremamente constrangedora que não gosto nem de lembrar, se tivessem me deixado utilizar a fila preferencial, eu teria resolvido o que precisava em 10 min e nada disso teria acontecido.

O outro acontecimento foi dentro do onibus, voltando ontem pra casa, as 18:00 hs, ônibus lotado, vagou um banco no assento preferencial, tinha passado o dia sem poder comer, fui 10x ao banheiro estava fraca e meu corpo doía muito, sentei, não deu 5 min para um senhor me “mandar” sair do assento pra ele, expliquei que estava doente, novamente me olharam com desprezo, como se eu estivesse me aproveitando da situação, o cobrador interveio e me mandou sair que os assentos são disponibilizados para pessoas com dificuldade de locomoção, gestantes, bla bla bla… E eu? E a minha condição?

Imagino que muitas pessoas passem por esse tipo de problema. Como é que se resolve isso? O quanto eu preciso provar que também sou doente e que provavelmente eu precisaria daquele assento ou do lugar na fila tanto quanto um idoso, uma gestante ou um deficiente físico?

Não preciso dizer que isso tudo me deixou extremamente mal a semana inteira, me senti excluída, com a auto-estima muito baixa. Na verdade acho que em nenhum outro momento me senti tão invisível quanto nesses momentos. Para os idosos da fila e no ônibus e também para o cobrador, eu posso parecer uma pessoa saudável, afinal eles não podem “ver” a minha doença.

Não poderia existir uma espécie de cartão informando que eu também sou portadora de necessidades especiais? Que eu em diversas ocasiões preciso desse assento preferencial e desse lugar na fila?

Até a próxima!

Convivendo com uma doença crônica.

Olá pessoal

Hoje vou falar um pouco mais sobre como lidar melhor com uma doença crônica.

Por que conviver com uma doença crônica é tão difícil?

Quando nós estamos gripados ou com uma amigdalite, sabemos que este é uma estado passageiro e que estaremos nos sentindo melhor em pouco tempo. Quando falamos de uma doença crônica a história é bem diferente, uma doença crônica pode nunca desaparecer, muitas não tem cura e isso pode afetar o nosso estilo de vida de diversas formas.

Quais são os efeitos de uma doença crônica?

Dor e fadiga podem se tornar uma parte constante do dia, mudanças físicas em função do processo da doença podem ocorrer e afetar nossa aparência bem como nos incutir certas limitações que nos forçam a modificar nossa rotina no trabalho, estudos e até no nosso ambiente. Essas mudanças, principalmente na questão que afeta o nosso trabalho podem também levar à dificuldades financeiras, lidas domésticas também podem se tornar penosas. Com essas mudanças podemos acabar nos sentindo como se estivéssemos perdendo controle sobre diversas situaçãos, sem mencionar a ansiedade que sobre a incerteza do futuro.

Stress?

O stress por si só não é o causador da doença, mas é comprovado que um stress prolongado pode piorar o estado geral de quem tem uma doença crônica, pode levar a estados de frustração, depressão, e o doente não é o único afetado, os familiares também sofrem com as mudanças, sofrem também com a sensação de impotência frente a doença.

A questão é, o quão preparados estamos para suportar as mudanças que precisamos fazer para adequar a nossa vida à nossa doença?

Eu afirmo que tive que fazer várias, a maioria a contra gosto, eu sou teimosa e várias vezes em diversas situações não aceito que tenho limitações, e de fato eu tenho limitações, por mais que as pessoas digam aquelas frases prontas do tipo:

“Quem impõe limite é você mesmo.”

“Quer quer acha uma jeito de fazer”.

Tudo muito lindo, mas quando você está constantemente doente, estamos sempre no limite, eu sei que não consigo manter um ritmo de trabalhar o dia inteiro e ainda estudar à noite, aí ouço “mas a população faz isso”, realmente, a grande maioria das pessoas trabalha e estuda, eu não consigo, eu fico extremamente cansada, começo a entrar em crises e o que acontece? Eu não consigo nem trabalhar e nem estudar, não faço uma coisa nem outra.

Eu venho há quatro anos protelando o início do meu MBA, diversas vezes em inscrevi e não consegui iniciar as aulas, não preciso dizer como me frustrei com isso. A solução? Iniciei o MBA de forma EAD, pode não ser a melhor opção, afinal o contato a troca de experiencias são super importantes e a gente sabe que não ocorrem da mesma forma em um curso de modalidade EAD, se eu não tivesse Doença de Crohn eu certamente iria fazer o curso de forma presencial, mas eu precisei me adaptar, no EAD eu consigo estudar nos momentos onde me sinto melhor, quando a dor não está me incomodando tanto, quando não estão tão cansada e fraca, ou por ter ido N vezes ao banheiro ou por não ter conseguido comer praticamente nada o dia inteiro. Isso sem contar as vezes que minhas colheres se transfomam em colheres de chá!

Ter uma doença crônica exige adaptações, não é fácil, nem pra quem tem a doença, nem pra quem convive com a gente. A adaptações acontecem de forma gradual.

Até a próxima!

Manifestações Extra-Intestinais | Pele

Olá Pessoal

Dando continuidade às manifestações extra-intestinais.

O post de hoje vou comentar sobre manifestações dermatológicas. Em cerca de 20% dos casos as conseqüências do Crohn e da Colite podem aparecer em outras partes do corpo: aftas na boca, inflamação na pálpebra e manchas vermelhas na pele são algumas outras manifestações extra-intestinais na pele.

Durante o meu período de diagnóstico eu tive eritema nodoso -o eritema nodoso é uma lesão na pele que é dolorosa e é mais freqüente nas mulheres que têm Crohn, sobretudo naquelas que tomam pílula anticoncepcional. O eritema também atinge mais os membros inferiores do paciente. O paciente deve usar antitérmico para uma febre ocasional e fazer repouso. Esta lesão não deixa sequelas – na época eu fazia uso de anticoncepcional, o que eu posso dizer é que os nódulso são muito dolorosos, impedindo até a locomoção, as regiões ficam quentes e as lesões parecem ficar entre a derme e a epiderme. As lesões demoraram para desaparecer completamente, aproximadamente 3 meses, e eu não fiquei com cicatrizes, acho que no momento que o Crohn começou a ser tratado as lesões também foram cicatrizando. Eu nunca mais tive eritema nodoso desde 2008.

Outra manifestação que tem aparecido frequentemente são muitos hematomas, principalmente pelos braços e pelas pernas, são hematomas grandes e pequenos, variando de 1cm há 10cm, eles simplesmente aparecem, não aparentam ser resultados de batidas, e parece haver ciclos, algumas vezes estou com vários e outras estou sem nenhum, não sabemos se isso pode ser uma reação ao Humira.

Até a próxima!

Um pouco sobre a Azatioprina

Olá pessoal

Hoje vou falar um pouco sobre a Azatioprina.

Eu fiz uso da azatioprina por aproximadamente seis meses, foi uma tentativa de conseguir eliminar o uso constante do corticóide, eu me tornei corticodependente e cada vez que baixávamos a dose eu entrava em crise forte. Posso dizer que nesse quesito a azatioprina cumpriu seu papel, eu tomava uma dose baixa de azatioprina, juntamente com o uso do Remicade.

O meu maior problema com ela foram os péssimos efeitos colaterais, eu ficava extremamente indisposta, com muita dor muscular e fraqueza, a dor era tanta que eu mal conseguia sair da cama, isso sem contar as náuseas, passava o dia enjoada, eu mal tinah forças de me levantar rpa ir ao banheiro. Foi com o uso da azatiprina que meus problemas com infecções oportunistas começaram, uam hora era um resfriado, outra vez era infeção urinárias, depois candidíase e assim fui arrastando o uso por seis meses.

A médica chegou a conclusão que o risco benefício do uso da medicação não estava compensando, por volta dessa mesma época eu comecei a ter intolerância com o Remicade, foi quando fizemos a substituição deste pelo Humira e parei de tomar a azatioprina.

Parece que os efeitos da azatioprina são bem diversificados, existem pessoas que passam muito bem com a medicação, sem efeitos colaterais indesejados e com excelente resultado na remissão da doença, outros, como eu, já passam muito mal.

Eu sei que ler a bula da medicação assusta, mas não creio que, não tentar ao menos tomar a medicação, seja indicado, em dois meses a gente já consegue ter uma idéia se o medicamento está surtindo efeito e se os efeitos colaterais são suportáveis.

Até a próxima!

Manifestações Extra-intestinais | Articulações

Olá Pessoal

Estou dando início à uma nova área aqui no blog que é pra falar sobre as manifestações extra-intestinais.

O post de hoje vou comentar sobre Articulações. A doença de Crohn pode acometer o aparelho locomotor e envolver predominantemente as articulações dos joelhos e tornozelos. Esta artrite, como é chamada, provoca muita dor. Na maior parte das vezes, as artrites são migratórias e podem ocorrer em 15% a 20% dos casos.

Eu sofro muito com dores articulares, a dor é realmente muito debilitante, vale dizer que eu tenho dores nas articulações todos os dias, o dia inteiro, a intensidade varia muito, na maior parte do tempo elas são suportáveis, o fato é que como a dor não passa, acabei me acostumando com ela, mas já faz um bom tempo que não acordo sem dor, acho que acostumei.

Nos primeiros meses durante o meu diagnóstico, eu fiquei com praticamente todas as articulações do corpo acometidas, dormir era muito difícil, pois ficar em uma mesma posições por algum tempo tornava a movimentação dessa articulação uma tarefa extremamente dolorida, na época precisei de muletas pra conseguir me locomover, e quando eu falo locomover eu quero dizer, ir do quarto pro banheiro, pra cozinha, ou então me locomover dentro do hospital, a dor era excruciante. Eu não tinha forças pra segurar um copo de água. Chorei muito pela dor já.

Atualmente as dores estão presentes, geralmente quando em crises, ela piora um pouco, principalmente as articulações das mãos, punhos e joelhos, uma coisa que eu já percebi, é que o repouso parece não ajudar, ou seja, o repouso não alivia as minhas dores, na maior parte do tempo as articulações apenas doem, mas eu consigo seguir com a minha vida, faço pilates e danço ballet, aproveito para me alongar bastante, eu me sinto bem depois dos exercícios.

Eu comentei que passo as 24h do dia com dores nas articulações, eu não tomo analgésicos, somente quando a dor está muito forte, Novalgina(Dipirona) 1g é excelente. Quem não tem intolerância com o tramadol, ele também é uma ótima escolha quando as dores estão muito fortes, eu infelizmente não posso tomar, o tramadol baixa o meu limiar para convulsão, e eu convulsiono quando tomo, isso eu descobri após a terceira convulsão após o uso do tramadol, e eu nunca havia convulsionado na vida.

É interessante mencionar que os meus sintomas digestivos muitas vezes melhoram ou até somem por dias, as dores articulares não, estão sempre ali, marcando presença e nunca me deixando esquecer que tenho uma doença, as dores articulares também estão sempre acompanhadas de muita fadiga.

Até a próxima!

Cansada de estar doente ou cansada de estar cansada?

Olá Pessoal

Estou cansada de estar doente, ou será que estou cansada de estar cansada?

Acho que os dois, ser doente – mesmo com períodos de remissão que não tenho há bastante tempo – cansa.

A gente fala isso para alguém saudável, e eles acham que entendem, mas não entendem, como explicar em plena segunda-feira de trabalho -após um final de semana de exclusão social onde a gente passa praticamente o dia em casa na cama – que estou cansada, “como assim cansada, hoje é segunda-feira”. Pois é, já estou cansada na segunda, aliás eu acordo cansada, todos os dias. Na verdade quando digo que estou cansada, quero dizer que:

  • Se eu sentar ou deitar, talvez não tenha força pra me levantar;
  • Se eu fechar meus olhos, talvez não tenha força de abrir, talvez eu nem queira;
  • Eu evito comer, porque estou cansada demais para me mover e preparar algo pra comer;
  • Eu não tomo tanta água quando deveria durante o dia, porque estou cansada demais para ir à copa/cozinha pegar um copo d’água;
  • Se a geladeira de casa está vazia, eu evito ir ao supermercado comprar alguma coisa. Porque eu estou cansada demais para entrar em filas, andar pelos corredores e depois eu ainda tenho que carregar as sacolas para dentro de casa;
  • Eu evito sair de casa porque estou cansada demais para ter que pensar em qual roupa/sapato colocar;
  • Eu evito assistir TV, porque estou cansada demais pra pensar no que está acontecendo no programa;
  • Eu evito ler um livro, porque estou cansada demais pra pensar no que estou lendo, talvez eu também esteja cansada demais para conseguir segurar o livro;

É esse cansaço que me refiro, não preciso nem mencionar que esportes, viagens, trabalho, estudo me cansam, sim eu canso com todas essas coisas, coisas que alguém saudável não cogita. Eu canso, mas isso não quer dizer que eu não faça.

  • Eu acordo todos so dias e vou trabalhar, e penso muito na roupa que vou colocar, a maquiagem que vou fazer, se meu cabelo está bem arrumado, eu gosto de estar apresentável no trabalho, estando bem arrumada, evita que as pessoas perguntem se eu estou bem, imagina se eu fosse trabalhar com aquela cara pálida e olhos fundos porque eu não dormi bem a noite, ou porque meu sono foi várias vezes interrompidos para emergencias ao banheiro ou porque eu senti dor a noite inteira, ninguém precisa me ver com aquela cara de mendiga viciada em crack;
  • Eu tomo bastante líquido, eu sei que faz bem, eu tenho sempre uma garrafinah de água na minha mesa;
  • Eu vou quase que diariamente au supermercado, eu sei que se eu não em alimentar a probabilidade de eu ficar masi fraca aumenta, mais fraca mais cansada;
  • Eu saio, vou ao shopping, vou aos aniversários, viajo;
  • Eu estudo muito, acabei de me matricular em uma pós graduação;
  • Eu leio muito, agora com o ipad fica muito mais “leve” ler aqueles livros tipo Senhor dos anéis, Game of thrones J;
  • Eu tenho a minha rotina de exercícios físicos, eu sei o quanto faz bem pro corpo, aumenta a minha capacidade pulmonar, libera endorfina que nos deixa mais felizes, evito complicações de saúde em função do sedentarismo;

Então apesar do meu post ter começado bem depressivo, eu faço todas essas coisas, alguém pode me dizer, “Você não faz nada demais, todos fazem isso”. Será mesmo? De novo, para alguém saudável, isso pode parecer trivial e as pessoas nem se dão conta disso, eu tento manter uma vida normal, mesmo estando sempre muito cansada, eu sei que eu tenho meus limite, eu não consigo manter uma rotina super agitada todos os dias e realmente há dias que são piores que os outros.

Mas é que estar doente cansa, são sempre infinitos exames, consultas com diferentes especialistas, tantas medicações (acho que as próprias medicações também podem causar fadiga, O remicade me deixava muito cansada, o Humira também tem me deixado cansada ultimamente), mais as tarefas diárias, nossa, cansa demais, tem dias que quero só me deitar e dormir, mas, a gente também cansa de estar cansado!

Até a próxima!

GI Monitor – Aplicativo para controle da DC

Olá Pessoal

Nas minhas buscas pela internet, achei um aplicativo bem interessante para o registro de controle da Doença de Crohn.

GI Monitor –  http://www.wellapps.com/products/gimonitor

Existem versões para Android, iOs ou acesso web. O aplicativo é em inglês, mas não é complicado de utilizar e você pode escrever as suas anotações em português.

Tenho feito uso dele há 3 semanas e é possível, visualmente, ter uma noção de como anda a doença, ele tem diversos relatórios com gráficos interessantes que mostram como está o seu Crohn, tanto em relação à refeições, qualidade de vida, número de idas ao banheiro.

Um pouco sobre o Humira – Adalimumabe

Olá pessoal

Hoje vou falar um pouco sobre o uso do Humira.

Após a minha reação com o Remicade em Setembro de 2008, começamos a procurar por novos possíveis medicamentos para dar continuidade no tratamento, optamos pelo tratamento com Humira, ele era indicado para casos de Crohn de moderado a severo e que tiveram excelente resposta ao Infliximabe, porém; e que criaram anticorpos contra ele, meu caso se encaixava na prescrição. Agora vinha mais uma questão, como conseguir o Humira? Em 2008 ele ainda era relativamente novo no Brasil, a Abbott tinha naquela época um programa que se chamava “Programa Humanizar” – eu não sei se o programa aidna existe – onde a gente se cadastrava e o laboratório custeava os dois primeiros meses do tratamento, fizemos a inscrição no programa, a Abbott pediu muitos exames e comprovações da necessidade do uso do Humira. Enviamos toda a documentação necessária e em dezembro de 2008 eu recebi as caixinhas com o Humira para iniciar o tratamento.

Nessa época fui também consultar a minha advogada para ver o que iríamos fazer em relação ao processo para obtenção do Remicade que ainda estava rolando e que na verdade eu nem poderia usar mais, ela fez um tipo de adendo ao processo original e solicitou a mudança da medicação, foi necessário um novo deferimento sobre antecipação de Tutela e dessa vez o deferimento veio em 1 dia, fiquei impressionada.

Bom o tratamento inicial consiste em tomar 4 ampolas na primeira semana, 2 ampolas deposi de 14 dias e permanecer com uma dose de manuntenção a cada 14 dias. O bom do Humira é que é auto administrável, ou seja, eu mesmo me aplico, sem hospital, sem punção na veia, o liquido é meio ardido e eu prefiro aplicar na barriga do que na coxa, acho que dói menos. Ele deve permanecer sob refrigeração.

O Humira foi a minha medicação milagrosa, ele sumiu com os meus sintomas, todos eles, inclusive o cansaço e dores nas articulações, e o melhor, tirando uma pequena vermelhidão no local na injeção que coçava um pouquinho (uns dois dias) eu não tinha nenhuma outra reação adversa! Estava feliz, eu consegui voltar ao trabalho e retomar os rumos da minha vida novamente, até esqueci que tinha alguma doença. Em Setembro de 2009 a Dra quis fazer uma nova Colonoscopia para ver como estava a cicatrização após quase um ano utilizando o Humira, o resultado da Colonoscopia foi excelente, não havia nenhuma atividade inflamatória. Claro que fiquei com o sistema imunológico deprimido e isso causava algumas infecções oportunistas de vez em quando, mas eu nem me importava com isso.

Em janeiro de 2011 comecei a ter esporadicamente algumas crises, às vezes ficava bem cansada em outras vezes eu tinha dores nas articulações, a Dra avisou que a efetividade do humira poderia estar diminuindo, em Setembro de 2011 fizemos nova colonoscopia, o resultado não foi tão bom, haviam pequenos sinais de atividade inflamatória, optamos por não modificar nada no tratamento. Em Agosto desse mesmo ano tive uma crise muito forte de Asma, e uma complicação na garganta que merece um post único.

O Ano de 2012 começou e as minhas crises estavam cada vez mais próximas, os meus exames de sangue também começaram , às vezes duravam somente um dia, em outras perdurava por 3 dias até 1 semana, mudamos a dose do Humira para uma ampola a cada 7 dias. Voltei a melhorar um pouco, as crises espaçaram um pouco, em setembro de 2012 eu fiz nova colonoscopia, a atividade inflamatória já estava bem mais avançada do que no ano anterior, mas nem se compara com o exame de 2007, as crises voltaram a acontecer mais seguido. A Dra adicionou 50mg de Purinethol (6-mercaptopurina) juntamente com a dose semanal de Humira. Diferente da azatioprina, eu tolerei bem o purinethol, como ele é um citotóxico, ele deixa um pouco nauseada, mas logo acostumei, e não tive perda de cabelo, que era um grande medo meu, afinal a gente lê quimioterapia e logo pensa isso, acho que a dose deve ser baixa pra não causar esses efeitos colaterais.

Agora voltei a dose quinzenal de Humira e continuo com o Purinethol, mas a minha resposta ao Humira está cada vez mais baixa, isso é uma coisa que me deixa muito nervosa e muito ansiosa, afinal ainda não existe nenhuma medicação no Brasil que substitua o Humira aprovada pela Anvisa. Os meus exames de sangue também estão um pouco alterados, meus leucócitos e plaquetas estão um pouco altos, bem como o meu VSG que está bem alto.

Parece que dentro de dois ou três meses a Anvisa vai aprovar o uso do Cimzia (Certolizumabe), que aparentemente é outro medicamento do grupo de biológicos bloqueadores de TNF, não sei se no meu caso iria funcionar, não sei se a criação de anticorpos contra um remédio já deixa a efetividade do outro em pauta. Acho que preciso aguardar…

Até a próxima!

A pessoa por trás do sorriso…

A pessoa por trás do sorriso…

Quantas vezes, acho que até já perdi a conta, ouvi de pessoas que souberam da minha doença,  mas você é uma excelente atriz, porque você não parece doente, eu realmente não sei qual a intenção dessas pessoas em dizer algo assim, é certo que muitas são sem noção, eu gosto de imaginar que elas não falam esse tipo de coisa por mal, prefiro imaginar que é pela minha atitude, na maior parte do tempo de tentar parecer normal. Realmente quem me ve durante uma crise, não diz que eu eu estou doente, isso porque eu faço de tudo para tentar esconder, estou sempre muito bem maquiada, bem vestida, faço piadas, rio muito, tento deixar o ambiente muito descontraído, mal sabem que por baixo, às vezes estou com febre, com muita dor, extremamente cansada, fraca, mas é complicado, as pessoas não entendem que eu passo muitos dos meus dias sentindo dores os dia inteiro. Acho que muitas pdoem imaginar que faço drama, ou monto um cenário pior do que realmente é.

Certas atitudes dos outros me irritam muito, eu internalizo muitas coisas, e não existe na verdade motivo de eu demonstrar a minha irritação para as pessoas.

Eu amo a minha vida, mas eu odeio muitas coisas que estão acontecendo ultimamente…

  • Eu odeio ter esse sentimento de ter tanta coisa pra dizer, escrever, mas meu corpo está cansado demais para isso;
  • Eu odeio ter que tomar remédios todos os dias;
  • Eu odeio ter que pensar que meus remédios não fazem mais efeito com antes;
  • Eu odeio ter que pensar que não existe outra medicação aprovada pela ANVISA que eu possa tomar;
  • Eu odeio pensar que eu posso morrer por causa disso;
  • Eu odeio que as pessoas me façam perguntas pessoais em relação à minha saúde e que eu não tenho a mínima vontade de responder;
  • Eu odeio toda vez que alguém vem falar comigo acha que é uma excelente oportunidade para me dar informações médicas sem que eu tenha pedido isso;
  • Eu odeio ter que viver provando para os outros que eu tenho limitações;
  • Eu odeio ter que viver provando para os outros que eu realmente tenho uma doença;
  • Eu odeio nunca estar em sentindo bem o suficiente;
  • Eu odeio o termo “Defeito de fábrica” ;
  • Eu odeio pensar que não importa o quanto as pessoas tentem (ou nem tentem), elas nunca vão saber a solidão que é viver entre intermináveis medicações e procedimentos médicos constantes;
  • Eu odeio pensar que as pessoas nunca sabem o quanto de colheres me restam;
  • Eu odeio pessoas que são imprudentes e planejam coisas pra mim sem levar em consideração a minha condição;
  • Eu odeio quando ouço as pessoas dizerem que precisam descansar um pouco, que estão com dor de cabeça, ou estão gripadas (na maioria das vezes é um resfriado ou uma alergia) ou que comeram algo que não lhes fez bem;
  • Eu odeio ter que me defender sobre ser uma boa esposa, filha, irmã, uma boa professional;
  • Eu odeio pessoas que me julgam ou me dão conselhos sobre como eu devo lidar com a minha doença ou com a minha vida;

Eu basicamente odeio que as pessoas consigam ver os efeitos da minha doença, acho que eu não me importo que saibam, eu só não gosto que elas tenham que me ver doente ou tenham que lidar com a minha doença de alguma forma

É muito odeio… Não sei se odeio de verdade, ou simplesmente tenho inveja dessas pessoas, pode ser isso, inveja de ser normal, inveja de não ter que estar constantemente representando. Só que isso também é exaustivo, representar o tempo inteiro cansa.

Até a próxima

The Spoon Theory | A teoria das Colheres

Olá Pessoal

Durante o meu diagnóstico, em 2007, pesquisei muito sobre doenças autoimunes, a maioria dos artigos traziam termos médicos, eu confesso que estava perdida no meio de tanta informação. Eu queria ler algo mais pessoal, existem N sites informando sorbe medicação, sintomas, etc.

Em uma das minhas pesquisas eu encontrei um site falando sobre a “Spoon Theory”, ou teoria das colheres, parei no site da Christine Miserandino, ela publicou toda a teoria que ela mesmo criou para tentar explicar como é ter uma doença autoimune para a sua melhor amiga. Eu tentei obter autorização para traduzir para o português, no entanto não consegui, abaixo alguns trechos da teoria, que pode ser lida na íntegra aqui em inglês.

“…Eu pedi que ela listasse as suas tarefas do dia, incluindo a mais simples, ela começou a falar sobre tarefas diárias e coisas divertidas pra se fazer, eu expliquei que cada uma delas iria custar uma colher. Quando ela falou de imediato que precisava ir para o trabalho como a sua primeira tarefa do dia. Eu disse, Não, você não vai simplesmente ao trabalho, você tem que fazer um esforço imenso para abrir os seus olhos, ai se dá conta de que está atrasada, você não dormiu bem a noite passada, você tem que rastejar pra fora da cama e então você precisa preparar algo pra comer antes de qualquer outra coisa, porque se você não comer você não consegue tomar o seu remédio e se você não tomar o seu remédio você pode dizer adeus ao restante das suas colheres de hoje e provavelmente as de amanhã também. Eu rapidamente peguei uma de suas colheres, ela se deu conta que ela não estava nem vestida ainda, tomar banho lhe custaria outra colher, se lavasse o cabelo custaria outra, mas eu preferi dar uma chance a ela, não quis que ela se assustasse de imediato. Vestir-se custou-lhe outra colher, eu a interrompi e falei sobre como cada detalhe precisa ser pensado , você não pode simplesmente escolher qualquer roupa quando está doente, eu disse que precisava pensar nas roupas que fisicamente eu poderia usar durante aquele dia, se as minhas mãos doem eu não posso usar roupas com muitos botões, se eu estou com hematomas, eu preciso cobrir de alguam forma, mangas longas talvez, se eu tiver febre eu preciso de um casaco para me aquecer. Se meu cabelo está caindo eu preciso perder mais tempo me arrumando tentanto parecer apresentável.

Eu acho que ela começou a entender, quando em teoria, ela nem havia saido pro trabalho e só lhe restavam 6 colheres. Eu expliquei que ela precisava escolher suas outras tarefas do dia com cuidado, já que uma vez que suas colheres acabam, ela acabam. Alguams vezes você até pode pegar emprestadas colheres do próximo dia, porém; pense em como será dificil começar o outro dia com menos colheres do que você tem hoje. Eu também expliquei que quem é doente sempre vive na iminência de que, amanhã pode estar gripado ou uma outra infecção oportunista ou qualquer outra coisa que possa ser perigosa, então você não pode correr o risco de ficar com poucas colheres, porque você realmente nunca sabe quando vai precisar delas. Eu não queria deixá-la deprimida, mas eu precisava ser realista e infelizmente estar preparada para o pior faz parte do meu dia…”

Acho que a teoria cabe muito bem com a Doença de Crohn, quantas vezes já me senti assim, o dia pela metade e eu sem “colheres” sobrando. Quantas vezes aturar longas horas no trabalho ou faculdade, sentada em cadeiras desconfortáveis, me preocupando se vou conseguir chegar ao banheiro a tempo. Quantas vezes tive que deixar de fazer alguma coisa, porque eu simplesmente estava sem energia, quantos sonhos tive que deixar passar porque simplesmente eu não consigo dar conta de tantas coisas ao mesmo tempo, como mestrado, viagens, trocar o emprego por outro mais desafiador.

É frustrante, querer fazer alguma coisa e não poder fazer, porque seu corpo não aguenta isso, porque se você ultrapassar os seus limites, e fizer isso constantemente você pode ficar muito mais doente, e isso pode causar muitos problemas.

Quem souber uma resposta para isso, me avisa por favor.

Até a próxima.

Em crise…

Olá pessoal,

Vou usar um pouco desse espaço para desabafar, estou em crise, uma crise forte, há tempos eu não ficava em uma crise forte como essa, eu tenho em média de uma a duas crise fracas por semana, eu entendo por fraca uma crise que eu tenha poucas evacuações por dia, mesmo acompanhada por uma dor intensa, eu geralmente tomo um Buscopan composto, e a dor melhora, porém; desde o dia 04 de março estou em uma crise forte, são em torno de 8 evacuações diárias, muito líquidas, a dor é muito forte e o buscopan quase não faz efeito, eu vômito muito, não por causa de uma náusea isolada, mas eu vomito de dor, no meu caso a dor é tão intensa que me faz vomitar, a minha médica explicou que a dor intensa atinge o sistema digestivo causado pelo expasmo cerebral.

Então se você está vomitando, é bom observar se o vômito e a náusea são primárias ou secundárias, porque muitos vômitos como causa primária, podem significar obstruções intestinais e isso é muito pior do que a diarréia.

Nesse momento estou em tratamento com 40 mg de prednisona, Flagyl 400mg de 8 em 8 horas e Cipro 500mg de 12 em 12 horas, vou fazer o tratamento até Domingo e ver se melhoro, se eu piorar ou não conseguir tomar a medicação por via oral, vou ter que internar para fazer a medicação por via endovenosa, nossa, não quero isso…

Também estou com uma dieta muito restrita, muito branda, eu não estou tolerando praticamente nada, estou me virando com purê de batata, papinha de bebê e ovo cozido. O mais difícil é conseguir se alimentar fora de casa, pois estou trabalhando.

Existe um suplemento alimentar próprio para doença de Crohn que se chama Modulen da Nestlé, o Modulen é caro, muito caro uma lata com 400g está em torno de R$270,00, eu já tomei o Modulen por um tempo, mas na boa, eu não suporto o gosto dele, acho muito ruim, também já tentei utilizar o Peptamen também da nestlé, esse é um pouco mais “barato” R$ 170,00 mas também não tem um gosto bom, nas minhas voltas em tentar achar um suplemento decente, encontrei o Ensure da Abbott, é carinho  R$ 30,00 a lata com 400g, mas bem mais acessível que os outros, ele é livre de lactose e glutén, você encontra facilmente em farmácias e agora também tem disponível em caixinha pronto para beber (tipo um toddynho), tem quatro sabores, morango, baunilha, banana e chocolate, o de chocolate é bem gostoso e olha que sou super chata pra comer e meu paladar é totalmente infantil, o Ensure de chocolate me agradou!

Bom estou na torcida para que o tratamento com antibióticos me façam sair dessa crise forte e que eu não precise internar.

Até a próxima!